O alvo do turismo goiano é Niquelândia (a 360 quilômetros de Goiânia), em cujo povoado (Muquém) acontece a festa em louvor de Nossa Senhora da Abadia. Anualmente há um fluxo turistas de (cerca de 100 mil ) para o local das festividades que reúne missas, batizados, casamentos e procissão. Em meio à programação religiosa, há barracas com comidas típicas e o comércio de artesanatos e outros artigos.

Todo ano, cerca de 200 mil romeiros de todo o Brasil se estabelecem no pacato vilarejo do Muquém, interior do Goiás, mantendo viva uma tradição católica de 263 anos.

A festa cultua a imagem de Nossa Senhora da Abadia e anualmente mobiliza milhares de devotos entre os dias 5 e 15 de agosto.

Algo que torna essa romaria única é o local escolhido para celebrá-la: um povoado esquecido no meio da Chapada dos Veadeiros, cercado pela exuberante paisagem do bioma cerrado. O contato humano com a natureza é constante, seja na procissão de 45 km que leva a imagem de Nossa Senhora desde Niquelândia até o vilarejo do Muquém, seja na área do santuário rodeada por morros e vegetação nativa. Os fiéis montam acampamento nos “ranchos”, sob a copa das árvores, e muitos tomam banho no riacho próximo. Alguns até preferem chegar ao Muquém por dentro da mata, cortando o cerrado por dias a fio, vindos de cidades vizinhas.

A tradição é algo muito forte para os devotos da Romaria do Muquém. A área dos ranchos é toda dividida entre famílias que acampam no mesmo lugar há 50, 60 anos. Seu Nenê é um desses fiéis que há mais de meio século participa da romaria. Na carroceria da caminhonete ele leva consigo a numerosa família e todo o tipo de apetrecho para incrementar a estada no Muquém, como fogão, cama, freezer e até vaso sanitário.

Outra peculiaridade do Muquém é o caráter pagão que a festa adquire em diversos momentos. Em contraste à dedicação das beatas, grande parte dos jovens não parece muito interessada nos assuntos da alma. Pelo contrário, acaba protagonizando cenas de bebedeira e lascívia nos arrasta-pés madrugada adentro. Sempre embalados por forró, funk e sertanejo universitário nos potentes sons automotivos – outra grande paixão típica do Goiás.

Ninguém sabe ao certo quando começou a festa, mas existem duas versões. Uma delas conta a história de um jovem chamado Gonçalo que teria assassinado seu amigo Reinaldo, pelo amor de uma moça. Isto no século XVIII, na cidade de Goiás. Foragido, acaba ficando na tribo dos xavantes, onde torna-se um dos líderes guerreiros e é batizado com o nome de Itagiba. Na noite de núpcias com a filha do cacique, é enganado por um rival e flecha sua mulher e o irmão dela, acreditando que ela o traía. Desesperado, Gonçalo (Itagiba) foge da aldeia e encontra-se com Inimá, seu rival. Num duelo com Inimá, este atira uma flecha contra o peito de Gonçalo, que é salvo por uma medalha de Nossa Senhora que carregava. Arrependido de sua vida de crimes, Gonçalo torna-se um ermitão dedicado a Nossa Senhora do Muquém. Esta é a versão do escritor Bernardo Guimarães, em O Ermitão de Muquém (1858).

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